sábado, 25 de abril de 2015

Quem já morreu

Rodrigo entra em cena. Lá estão, meio sem fazer nada, Wlad, Pri e Ayron. Ao fundo, olhando para fora da janela (claro que imaginária), Renata Gouveia.
Quando Pri vê Rodrigo aparecendo, fica nervosa e faz movimentos de que deveria estar fazendo alguma coisa. Na dúvida, vai até a mesa de centro e tenta arrumá-la (embora esteja arrumada).
Rodrigo entra sem pedir licença e sem cumprimentar ninguém. Wlad fica ao fundo, como uma espécie de segurança. Não faz gestos e mantém postura estrita de armário. Não fica tenso.
(Os movimentos de Rodrigo são coreografados segundo a sensibilidade desse tipo de personagem. Quem quiser, do grupo, me sugerir algo, pode)
Rodrigo chega próximo a um notebook no meio da sala. Consulta algo, de forma brusca. Pri finge que arruma a mesa.
Pri fala.
- Rô, tudo bem com vc? Vc parece nervoso.
- Tudo bem. (visivelmente incomodado, mas com certa hostilidade)
- O que foi?
- Não, é que aquele bosta ainda não me depositou a grana.
- Não precisa se preocupar.
- COMO ASSIM? COMO ASSIM NÃO PRECISO ME PREOCUPAR?
- Não é isso, meu bem...
- QUEM É QUE PAGA VOCÊ, CARALHO? QUEM É QUE PAGA ESSE ARMÁRIO AÍ? E AQUELA BOBINHA ALI OLHANDO PELA JANELA?
- Rô...
- (tempo) VAI TOMAR NO CU.
- (fica magoada. Parece compreender. Ele parece não ver nada na sua frente.)
Em seguida, ele volta a olhar o notebook, como se nada tivesse acontecido. Ele fica lá alguns minutos. Ela parece preocupada com ele. Pergunta.
- Rô, quer umas frutas?
- Como assim? (fazendo como se ela tivesse interrompido alguma coisa)
- Umas frutas, Rô, para você se sentir melhor.
- Eu tô bem, caramba. Só esse porra que não paga.
(tempo. Pri para e faz que sugere algo)
(como se fosse algo meio proibido. Algo meio próximo a uma tara dele. No caso, sexo oral)
- Que foi?
- (baixinho) Quer?
- É, não adianta o tempo passar e eu aqui, o imbecil. Tá!!!! (alegre).
Senta-se de costas para a plateia. Ela começa a fazer o oral.
Ele goza, mas tranquilo. O notebook faz um barulho. Ele joga ela para trás, bruscamente. Fica magoada, até se machuca um pouco.
Ele olha o notebook. Grita.
- MERDA! Ele não pagou!
Ele olha para ela, para seu pênis, pendurado, e começa a gargalhar, de forma brusca, irônica e agressiva.
Passam-se uns 2 minutos de gargalhar, com ele apontando para ela.
- Pode deixar, sua puta, daqui a pouquinho tem mais suquinho.
Gargalha mais.
Olha para o seu lado, onde está o Wlad. Para, olha fixo para ele, diz.
- Wlad, você se incomodou com alguma coisa?
Wlad não responde.
- Porque é o seguinte. Se se incomodou, ou me mata agora ou foda-se.
Nada acontece.
Rodrigo volta seu olhar para a Renata, olhando ainda para fora da janela, visivelmente desinteressada de tudo.
Pri recolhe-se a um canto. Falando consigo mesma.
Fica um clima estranho.
Rodrigo pega a Renata pelo braço, leva até a Pri e lhe diz.
- Fala para ela que eu a amo.
- Ele te ama.
- Viu? (sai, confiante. Volta até o note. Renata faz de ombros e volta até a janela)
(tempo)
Rodrigo sai. Deixa uma arma que tinha na cintura numa mesinha ao fundo, do lado esquerdo de Pri. Leva o celular, vai falando em voz alta com um comparsa.
(tempo)
Pri pergunta a Wlad.
- Por que ele faz isso?
Wlad não esboça reação.
Renata se aproxima de Pri. Senta-se do lado dela, do lado esquerdo. Murmura a ela alguma coisa. Se abraçam após alguns segundos.
Rodrigo volta. Não gosta do que vê. Finge que não se importa. Pega o note de volta. Renata fica ao lado de Pri. Olham para ele fixamente. Rodrigo olha a mesinha. Ela olha a mesinha, mas de leve. Ele ordena.
- Sai daí.
- O que é, agora?
- SAI DAÍ!!!
- O que é isso?
Rodrigo vai em direção dela.
- Sou sua filha, pai!
- E daí? Sai daí!
- Vou ficar com minha mãe!
Rodrigo vai correndo e pega a arma.
- Fica com essa puta, então. Otária!
- Pai, sou tua filha!
- Sei (com desinteresse).
Rodrigo pega um pó branco, distribui na mesa lentamente e cheira. Senta-se numa poltrona.
O tempo passa.
Ele diz.

- Vai à merda você, você e você. Vão todos à merda.

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