Olhem!
De Rodrigo Contrera
(homem com pernas de pau)
Pois é
Vocês me vêem daí de baixo
e devem pensar
'o que é que ele tá fazendo ali?'
'será que ele é um palhaço?'
'O que é que ele quer com isso?'
(espanto)
Sabem que eu não sei?
Eu não sei, não!
Juro que não sei!
Foi alguém que me pôs aqui!
Pra quê?
Sei lá!
(continua andando)
Sabem, eu bem que gostaria de descer, sabem?
Sério!
Acabar com isto aqui.
Descer, ficar aí com vocês.
Mas por enquanto não posso.
(anda)
Tenho que ficar aqui.
Aqui em cima.
Para quê?
Sei lá!
(aponta)
Olhem!
Lá!
Daí vocês não podem ver, mas eu consigo!
(fala mais baixo)
Lá, eu vejo um homem.
Andando sozinho.
Ele... manca de uma perna.
Carrega uma sacola.
É, uma sacola.
Não dá para ver o que tem nela.
Vamos lá, ver?
Vamos, vamos lá, vamos lá, ver.
(aponta)
Olhem!
Daí vocês não conseguem ver, mas eu consigo.
(mais baixo)
Uma criança se aproximou do homem.
Eles falam alguma coisa entre si.
O homem se senta na rua e abre a bolsa.
A criança parece afastar-se, com medo.
(aponta)
Olhem!
O homem tira um negócio vermelho...
... da bolsa...
e mostra para a criança.
(espanto)
O que será que é?
A criança se afasta.
O homem vai em direção a ela.
Eles correm.
Olhem!
Lá vão eles!
Vamos, venham comigo!
(anda, corre)
Sabem, eu tô com medo
Tenho um filho.
Não se pode deixar as crianças sozinhas na rua.
Vai saber quem anda pelas ruas, de noite.
Estamos chegando perto.
(pára)
Foi aqui que eu vi os dois.
Para onde é que eles terão ido?
(preocupado)
Vocês conseguem enxergar alguma coisa daí?
Mesmo daqui de cima eu não consigo enxergar nada.
Olhem!
Tem um negócio vermelho ali!
Será que é aquela coisa que o homem...
mostrou à criança?
Será que é?
Vamos lá!
Olhem!
Está bem ali!
(medo, pavor)
Você... pega essa coisa!
Mas vai com cuidado.
Vai que se mexe, é um animal, sei lá.
Ali, ali. Olha lá, é vermelho.
(baixo)
isso.
Óh...
É um nariz.
Um nariz de palhaço!
(fica exultante)
Me dá, me dá!
Dá aqui!
(dão o nariz a ele)
(faz um quê de espanto)
(coloca o nariz)
(faz um jeito matreiro)
Oh...
Agora eu enxergo muito bem...
As crianças, sigam-me!
Vamos brincar!
Vamos brincar!
Quem aí é homem?
Quem aí é criança?
Quero ver quem é que me alcança!
(sai correndo)
FIM
(CARTA DE ENVIO, ABAIXO)
Nilton
1) o texto está embaixo. não está PERFEITO.
devo mexê-lo um pouco. não é muito engraçado, mas é do jeito que imagino que eu
gostaria, hoje. depende MUITO da empatia do homem, você, com as crianças.
2) chama-se "olhem!"
3) é indicado a você - feito para tua pessoa.
4) quero vê-lo encenado. quando for fazê-lo,
chame-me.
5) se quiser, indico uma direção.
6) gostaria de ver você encenando-o ou no ecal
ou nas satyrianas, na rua.
7) não cedo os direitos. apenas indico-o a
você, e permito que você o encene QUANDO QUISER, eu vendo ou não. quando for
encená-lo, diga a autoria, e indique meus dados (nome, telefone celular,
email).
pronto.
ahahahahaha
abraço
Contrera
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