- Vá embora.
- Não vim porque quis.
- Quem te pôs aqui? Vá embora!
- Eu queria ir, mas não posso.
- Qual o teu problema? Vá embora, por favor, vá embora!
- Não posso!
- Não agüento te ver aqui, não agüento.
- Eu queria ir, te juro.
- O que você tem afinal, que não pode ir embora?
- Ele quis que eu viesse.
- Quem, a quem você se refere?
- Ele.
- Não seja idiota!
- Mas é verdade.
- Só me faltava essa, agora. Vai embora!
- Eu não consigo. Tenho que ficar aqui.
(tempo. resignação breve)
- O que você veio fazer aqui?
- Não sei bem.
- Tá bom, então! O que ele pediu que você viesse fazer aqui?
- Não sei. Na hora, estava tudo claro. Agora não sei mais.
- O que estava claro?
- Que eu deveria vir aqui.
- Fazer o quê? Você não se lembra?
- Não. Tento, tento, mas não consigo.
- Eu realmente não agüento te ver na minha frente.
- Por quê?
- Sei lá, algo dói aqui dentro.
- Onde? (tentando ajudar)
- Não sei, juro. Algo dói, isso é certo. Não depende de mim.
- Quer que eu traga um pouco d'água?
- Não precisa. (reluta) Obrigado.
- De nada.
(permanecem, calados)
- Vai embora, vai.
- Não consigo.
- (faz que se irrita)
- Eu já tentei, mesmo. Mas não consigo mais. É como se eu precisasse
ficar aqui.
- Você só me traz dor, sempre que te vejo.
- Lamento. Mas não posso fazer nada.
(permanecem, calados)
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